foco
paulo césar saraceni
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paulo césar saraceni
Em parceria com a Amora Produções Artísticas e o Cineclube XHY-247, apresentamos o Foco Paulo César Saraceni (1933–2012).
Um dos fundadores do Cinema Novo formou-se no Centro Sperimentale di Cinematografia, em Roma, e trouxe ao cinema brasileiro um diálogo estreito com o neorrealismo italiano, com grande influência de Rossellini. Essa relação com o cinema italiano ganha, em Saraceni, uma roupagem propriamente brasileira, seja nos seus temas, seja na sua aproximação com a literatura nacional. Leitor persistente de Lúcio Cardoso, o cineasta manteve com o escritor uma parceria iniciada no argumento de Porto das Caixas, que atravessou mais de três décadas e resultou na chamada Trilogia da Paixão, completada pelas adaptações de A Casa Assassinada e O Viajante. Em comum, seus filmes estabelecem microdramas familiares e íntimos que nunca se fecham em si, mas reverberam a decadência, o desejo reprimido, o autoritarismo e as tensões da própria história do Brasil.
Exibiremos dois momentos dessa trajetória:
Porto das Caixas (1962) - Realizado dois anos antes de O Desafio e escrito para o cinema por Lúcio Cardoso. Nele se interligam a cidade em decadência, que aguarda uma nova força a ser extraída das obscuras promessas de políticos, e o drama da mulher que, pela sedução, tenta convencer os amantes a matar o marido e, assim, conquistar a liberdade.
A Casa Assassinada (1971) - Baseada no romance de Lúcio Cardoso, o filme, em cinemascope e com trilha original de Tom Jobim, acompanha Nina (Norma Bengell), carioca que se casa por interesse com um homem de uma decadente e tradicional família do interior de Minas Gerais.
1962 | 75' | RJ | DCP
Paulo César Saraceni
Uma mulher, querendo matar o marido que a oprime, procura ajuda de seu amante, de um soldado e de um barbeiro, mas eles se negam a cometer o crime. A cidade do interior onde moram revela a decadência: uma fábrica parada, um convento em ruínas, o barulho do trem, um vazio parque de diversões, uma feira sem entusiasmo, um comício sem força reivindicatória. Disposta a libertar-se do meio, a mulher decide colocar seu plano em prática sozinha.
1971 | 103' | RJ | DCP
Paulo César Saraceni
A ruína econômica de uma família tradicional do sul de Minas Gerais, dá forma a sua hipocrisia com a chegada de uma mulher que enfrenta todo o grupo para preservar a própria dignidade.